Se hoje a música gospel brasileira atravessou fronteiras e tem um novo padrão de qualidade ganhando, inclusive, categoria no Grammy Latino , existe um nome por trás disso tudo e que há quase 25 anos pagou o preço por ser diferente e ousou introduzir novos conceitos ao que era chamado apenas de “música evangélica”: Marina de Oliveira.

A cantora, empresária, artista plástica, coreógrafa, roteirista, diretora, apresentadora de TV, ou, simplesmente, a adoradora promoveu uma verdadeira revolução na música evangélica, desde 1986, contextualizando às canções e imprimindo novo conceito de qualidade e musicalidade. Hoje, coleciona 17 álbuns solos lançados, 8 em grupo, 1 DVD ao vivo, isso em contar com extras e compilações. Sua principal marca? A ousadia.

Quebrar paradigmas não foi fácil. Mas Marina abraçou com coragem sua missão lançando mãos de rótulos e focando em seu objetivo: tornar a música cristã respeitada na sociedade e fazer dela um canal de evangelização. A dança, por exemplo, passou a ser vista não mais como exemplo de heresia nas igrejas evangélicas, mas como uma prática legítima na adoração a Deus.

Marina “abriu as portas” para a música gospel se apresentando em grandes casas de show no Rio de Janeiro – como o Canecão, Imperator e Metropolitan, hoje Citibank Hall – e produzindo eventos de grande porte (“Canta Rio”), onde reuniu mais de 200 mil pessoas (Quinta da Boavista – RJ, 1995). O “Canta Rio 99”, por exemplo, teve um público superior a 120 mil pessoas na Praça da Apoteose.

Marina também assinou a direção artística do Canta Brasil 500 (21/04/2000), o Canta Rio 2002 e, em 2004, o “Canta Zona Sul “, onde reuniu mais de 160 mil pessoas nas areias de Copacabana; assim como todos os grandes eventos do Grupo MK de Comunicação e os DVDs da empresa.

Como Diretora Artística da principal gravadora gospel do país, a MK Music (que detém 70% das vendagens do gênero, que hoje abocanha 30% do mercado fonográfico), Marina de Oliveira se tornou um dos principais expoentes do movimento gospel. Marina também esteve à frente do programa Conexão Gospel (TV Gênesis – sábado às 17h30; TV Boas Novas – domingo, às 15h30; internet: www.conexaogospel.com.br) por mais de 10 anos.

Filha do Deputado Federal Arolde de Oliveira e da empresária Yvelise de Oliveira, Marina se preparou para ser uma grande publicitária, inclusive com pós-graduação no exterior, além de ter cursado a faculdade de engenharia eletrônica. Mas com certeza Deus tinha planos diferentes para sua vida, e acabou por integrar todos os seus conhecimentos adquiridos em prol do crescimento do Seu Reino.

Biografia musical:

“Imenso Amor” (1986), “Acredito no Amor” (1988), “Canções de Luz” (1989), “Uma Voz do Coração” (1991) e “Onda de Amor” (1993) foram os seus primeiros trabalhos de carreira oficiais. em 1994, foi lançado no mercado o “Marina de Oliveira Ao Vivo” gravado no Canecão (RJ); no repertório, canções que marcaram sua carreira até então. Em 1995, Marina mais madura volta ao mercado gospel com o duplo lançamento “Momentos 1 e 2”; uma salada musical que explora bastante sua versatilidade vocal interpretando diversos ritmos e timbres para o louvor do Rei Jesus. Quase dois anos mais tarde, lança “Special Edition” para o mercado internacional, juntamente com o lançamento grupo Voices acompanhada de Fernanda Brum, Eyshila, Jozyanne e Liz Lanne. Já em 1999, foi o início de uma fase marcante na vida profissional e pessoal da cantora; depois de vários meses gravando, produzindo, refazendo, Marina enfim faz um mega lançamento de seu cd “Coração Adorador”; inesquecível. E falando de coisas inesquecíveis, o que dizer do álbum “Aviva” (2000)? O disco trouxe novamente Marina para o topo das rádios evangélicas, participação em programas de TV, programações em igrejas e shows; junto desse CD veio a gravidez de sua segunda filha, Letícia. Fechando uma espécie de triologia musical, “Um Novo Cântico” (2002) é considerado um dos melhores álbuns da cantora até hoje em uma fase maravilhosa. No final do mesmo ano, por problemas pessoais, Marina se ausenta de sua carreira, mas dá a volta por cima lançando “Remix 17” quase no fim de 2003, reinventando canções que marcaram seu ministério ao longo de 17 anos de carreira; álbum este que divide opinião de todos os que já escutaram, mas uma forma de evangelismo que certamente atingiu o alvo proposto.

Em um certo momento, Marina decidiu enfim não mais cantar até que algo diferente acontecesse na sua vida ministerial e já estava até satisfeita só com seu trabalho backstage. Mas Deus tinha outro propósito para a cantora, e o algo diferente aconteceu enfim: “Meu SIlêncio – Ministração Profética Entre Amigos e Irmãos” (2006) é a marca desta mudança. Para atingir o resultado do projeto – que incluiu DVD e CD, que foram gravados simultaneamente no Garden Hall, na Barra da Tijuca (RJ) – Marina explica que atravessou, voluntariamente, um deserto particular, esperando ouvir de Deus o comando para voltar a cantar, e sentiu que deveria assumir uma posição diferente e não apenas ficar esperando. Na noite de gravação, Marina de Oliveira fez questão de recriar o mesmo clima de intimidade que experimentou com Deus. Até quando o relógio permitiu, a cantora cumprimentou um por um, na porta do teatro da casa de eventos, alguns dos 900 convidados, entre familiares, amigos, cantores, pastores e pessoas ligadas à sua história.

O Ano de 2008 foi de muito trabalho, incluindo o lançamento de “Permíteme” – segundo disco internacional desta vez mais voltado pro mercado latino-americano – e meses mais tarde o disco power “Eu Não Vou Parar” com um belíssimo projeto gráfico elaborado completamente pelo seu marido, Sérgio Menezes (in memorian), e com canções animadas e letras que refirmam o seu ministério e o seu desejo ardente de servir a Deus com o ministério que Ele lhe confiou que foi levar a palavra atrvés da música – disco esse que concedeu a Marina a primeira indicação ao Grammy Latino.

Porém, no início de 2010 uma tragédia familiar que abalou a todos no meio evangélico – e fora do meio também – envolvia diretamente o nome de Marina, com a morte de seu único irmão Benoni de Oliveira e seu marido Sérgio Menezes em um inexplicável acidente de avião, e no mês de maio, mais uma tragédia tira a vida de seu genro Nelson – esposo de sua primogênita, Luiza – o que desestruturou todos os planos que a família tinha até então, justo em um momento em que pareciam todos estar muito bem. Mas nada acontece sem a permissão de Deus, e através dessa experiência a cantora pode passar todo o seu sentimento, seu testemunho e fé através das canções do disco “Na Extremidade”, com repertório antes totalmente rejeitado pela cantora que mais tarde encontrou as músicas guardadas em um cd no seu carro, que pareciam estar guardadas especialmente para ela.

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